quarta-feira, 31 de julho de 2013

Choices -cap 2

Ele apertou a minha mão e quando a soltou, senti ela formigar. Todos estavam normais, mas Erick deve ter percebido que eu estava diferente, pois logo se postou ao meu lado e sussurrou de modo que só eu iria escutar:
-O que foi?
-Nada. Foi momentâneo.-Menti, mas consegui convencer ele. Depois que todos voltaram a se acomodar, fui até o centro do círculo e comecei a explicar o porque da nossa vinda com mais detalhes:
-Bom, como foi dito antes: Somos soldados da Blue. Sobre os boatos, sim existe uma colônia lá onde é possível recomeçar uma nova vida, disponibilizamos comida e tudo o que for preciso para sua sobrevivência. Nossa base fica em Portland, são 13 horas de viagem até chegar lá e nosso veículo esta estacionado a 5 quilômetros daqui. Vocês gostariam de contar como se encontraram ?- perguntei, estendendo meu olhar a todos no círculo.
-Bom...Eu e Kendall viemos da região central do país e encontramos Aryane e Daphne no deserto.-Dustin começou o relato.-Chegamos em Las Vegas e Carlos, Logan e James estavam fugindo de alguns zumbis. Lá conseguimos mais armas e dois carros, fomos dirigindo e no meio do caminho encontramos Destiny e Cindy, dando sinal para pararmos.
-Carlos, Logan e James, vocês já se conheciam?-Perguntei
-Éramos vizinhos em Las Vegas até tudo começar, fomos os únicos sobreviventes.-Logan contou
-E Aryane e Daphne?-Perguntei, me virando para elas.
-Estávamos tentando chegar até a Blue, junto com nossos primos mas eles foram pegos...-Daphne contou, baixando o tom da voz e Aryane permaneceu quieta, secando uma lágrima.
-Destiny e Cindy?.-Me virei, perguntando para elas.
-Porque isso lhe interessa?-Destiny perguntou
-Porque é preciso preencher para entrar na colônia. Caso seja invadida, temos as informações básicas de cada um e é mais fácil encontra-los.-Marie contou.
-Eu e Destiny éramos vizinhas em New York e viemos de carro, até ele quebrar. Eles nos resgataram.-Cindy contou. Observei Destiny por um momento e percebi que ela não confiava em mim. Me agachei e olhei nos olhos dela.
-Você é muito esperta por não confiar em mim.-disse, enquanto arrumava a bota
-E se vocês forem da outra empresa? Aquela que fez tudo isso? Vocês podem estar blefando.-Ela disse
-Tem razão. Mas porque blefaria? A outra empresa também procura soldados, paga o dobro para eles só para se manterem dentro da base e a proteger. Eles precisam de soldados experientes também, não vocês. Vocês não tem treinamento para usar as armas que são necessárias -Falei vagamente. Com o canto do olho percebi ela levantar e tirar da parte de trás da calça uma arma. Peguei ada  minha na bota e levantei rapidamente. Ela apontou para mim a dela e eu apontei a minha para ela. Erick ameaçou a pegar a dele mas o detive:
-Não. Eu resolvo.
-Não ouse duvidar da nossa capacidade.-Ela disse, tentando soar perigosa. Pela sua postura, percebi que sabia como usar uma arma do jeito certo, mas se eu quisesse desarma-la seria fácil.
-Não estou duvidando. Estou afirmando. Não disse que vocês não são bons, apenas disse que não eram bons o suficiente para a Green.-Ela continuou com a arma apontada para mim.-E você não deixou eu terminar. Quero oferecer a vocês um...emprego. A Blue procura novos soldados dentro e fora da colônia.
-A Blue quer soldados? Você acaba de dizer que não somos bons.-Ela ironizou
-Você acha que nascemos sabendo como lutar? Claro que não, nós treinamos todos os soldados. Estamos dispostos a treinar quem quiser se alistar. Se não quiser não tem problema, vai continuar na colônia e tentar levar uma vida normal.-Terminei. Ela não abaixava a arma. Todos cochichavam, e percebi alguns "Eu vou". Sorri e olhei para ela. Aos poucos ela abaixou a arma, e voltou para o lugar onde estivera sentada.
Chamei o Carlos e pedi para ele informar para o Erick quantas armas eles tinham. Ele o levou até a parte de trás. Brad começou a conversar com Cindy e Destiny sobre New York, e Marie foi atrás de Erick. Me sentei na frente da Daphne e da Aryane e comecei a fazer perguntas:
-Bom...então quem namora quem ?-Na hora que eu disse, elas ficaram vermelhas. Olhei desconfiada e dei meus palpites
-Você namora o Kendall.-Apontei para a Aryane, ela assentiu surpresa.-E você o Carlos.-Apontei para a Daphne, que deu um sorriso tímido.-Sobram James, Logan e Dustin.
-Dustin só fica dando em cima de todo mundo, mas nunca ficou com nenhuma de nós...Destiny não admite mas ela gosta do Logan. Já vi eles ficando algumas vezes. James e Cindy tem...digamos uma amizade colorida.-Daphne riu quando disse "amizade colorida". Não sei porque, mas de repente bateu uma tristeza com essa informação, logo tratei de mandar esse sentimento para o fundo da minha mente. Aquilo era uma missão, não um conto de fadas. Erick voltou com Marie colada nele, o que já estava me irritando. Não era ciúmes e sim por ela estar se concentrando em transar com ele do que salvar os sobreviventes.
-Eles tem mais 10 armas, mas pouca munição. -Ele informou.
-Bom, partimos pela manhã, está bem?-Informei e todos assentiram. Olhei o meu relógio e já era tarde.-Vocês deixam alguém de vigia durante a noite?
-Sim, hoje é a noite do...James-Dustin começou a pensar e apontou para ele. Meu coração começou a bater mais rápido.-Estávamos em um prédio pequeno, então não precisávamos de dois vigias, mas esse galpão é gigante, então é melhor um de vocês ficarem vigiando.-Ele sugeriu e todos assentiram. Erick olhou para mim e mandou uma mensagem pelo olhar "Você vai ficar?", apenas assenti para ele e disse:
-Eu fico. Podem dormir, de manhã eu acordo vocês.-Quando disse isso, todos foram se aconchegando e eu e James subimos para o telhado e ficamos observando a cidade lá de cima, em silêncio. Depois de uma hora e meia sem ninguém falar, ele disse, ainda olhando a cidade ao longe:
-Como é lá? Na colônia?
-Por fora é cercado de muros altos, de forma que ninguém conseguiria escalar. Por dentro, eu e meu vô planejamos tudo. Diversas árvores foram plantadas, construímos casas, escolas, parques, hospitais. É como uma mini cidade.-Sorri lembrando.
-Quando você se alistou?-Ele agora olhava para mim, curioso.
-Eu tinha 15 anos...Na verdade eu cresci na base, sou neta do cara que criou.
-N-Neta?? Sério?.-Ele pareceu surpreso.-Todos dizem que ele tem olhos azuis, mas você tem olhos violetas...
-Sim, ele tem olhos azuis. E como vocês sabem, o outro cara, de olhos verdes, é irmão dele. Meu outro avô, pai do meu pai. E esse é pai da minha mãe. Mataram os dois quando eu nasci, meu vô de olhos azuis me criou, porque se dependesse do outro eu já estaria morta.-Não demonstrei estar triste, magoada ou com raiva. Era uma pedra sem sentimentos.
-Ninguém sabe o nome do seu avô...porque?
-Nem eu sei, nunca me contaram e nunca fui divulgado. Procurei em todos os lugares possiveis e com todas as pessoas possiveis, mas ninguém fala. Eu só sei do meu nascimento porque o conselheiro dele, o Matt, me contou. Meu vô nunca me disse nada do passado, somente que eu era muito especial.
-Você não sabe o nome dos seus pais?
-Sei...John e Clarice. Nem tenho uma fotografia dos dois...-Sussurrei, quando percebi uma lágrimas havia descido pela minha bochecha, James a secou com o polegar.
-Sinto muito por você.-Ele disse baixinho.
-Tudo bem...Me acostumei com o tempo. Meu vô me criou e quando eu completei 8 anos, tudo isso começou. Vi a nossa base começar a treinar os soldados e a colônia a se formar. Quando fiz 15 anos, pedi para me alistar, mas ele não queria deixar. Insisti até que ele criou algumas...fórmulas para ajudar no meu corpo. Minha força, rapidez, sentidos, agilidade, praticamente tudo em mim foi aumentado.
-Então você é geneticamente modificada?.-Ele perguntou, confuso.
-Sim, sou geneticamente modificada. Fui transformada em uma supersoldado. Desde então vou em missões perigosas, resgato sobreviventes e extermino algumas modificações dos zumbis.
-Modificações?
-Alguns animais também sofreram a mutação, mas de forma diferente. Se tornaram mais poderosos, o vírus dentro deles mudou. Mordendo um humano, o vírus mais poderoso passa para o humano, levando ele a um nivel diferente da mutação. Nunca encontrou algum?-Perguntei, ele balançou a cabeça em sinal de não.
-Nunca encontrei nada diferente a não ser zumbis e cachorros. Percebi que os cachorros são mais rápidos, mais nada além disso.-Ele contou
-Sorte sua, não sou mandada em missões para exterminar zumbis em cidades próximas, somente em missões para acabar com mutações desse tipo.
-Você é uma garota bem corajosa viu.-Ele sorriu e vi que seu sorriso era encantador, acabou arrancando um sorriso de mim também. Ele se aproximou de mim e de repente senti uma necessidade de beijar aqueles lábios. Eu mal conhecia ele mas senti a confiança nele, alguém que me ajudaria e seria um bom amigo no futuro. Me inclinei em direção a ele e estávamos muito perto quando ouço um barulho. Olhei nos olhos dele e percebi que ele também havia escutado. Levei o dedo indicador a boca em sinal de silêncio e me levantei devagar. Peguei a arma na minha cintura e fui andando devagar pelo telhado. Me surpreendi por ele ser silencioso também, ele veio atrás. No final da rua eu vi...
Continua...

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