sexta-feira, 26 de julho de 2013

Apenas Uma Garota -cap 37

~Sophie~
Eu precisava de outros lugares, lugares onde eu poderia passar minhas férias e colocar a cabeça no lugar. Desde pequena eu era apaixonada por mitologias, principalmente grega. Eu não acreditava, mas achava fascinante, alias ainda acho, todas as histórias, saber cada Deus e Deusa e suas esferas de poder, histórias de como se formou cada pequena coisa que temos hoje em dia. Meu sonho era ir a Grécia, então nada mais justo do que satisfazer esse meu desejo. Fui sozinha, já que meu intuito era pensar sozinha. Se qualquer um, até mesmo o Carlos, viesse iria acabar deixando meus pensamentos ainda mais confusos do que já estavam. Eu sabia o que sentia pelo Carlos, nos braços dele eu me sentia segura, aquele sorriso me transmitia a confiança que foi perdida, as declarações o faziam se transformar em um perfeito príncipe, mesmo com um boné. As brincadeiras, as confissões, as declarações...todos os momentos vieram a cabeça. Mas ai eu lembrei daquela cena. Eu nunca imaginei que ele poderia se apaixonar por outra, nunca passou isso na minha cabeça. Eu nem tinha motivos para pensar, eu havia esquecido completamente que ele já teve outras namoradas, e mesmo quando a Sammy voltou, por mais ciumes e medo de perder ele, eu sabia que ele me amava...bom sabia. Agora com toda essa confusão, minha mente e meu coração estão em uma constante briga interna, enquanto a mente me repreende por ter feito a escolha errada, meu coração sussurra para eu manter a esperança. Eu estava em um caminho sem volta, onde o final seria um abismo. Será que a queda desse abismo valeria a pena? Será que eu apenas me machucaria ou...ou ele me salvaria? Eu não quero voltar a ser apenas uma garota, eu quero ser A garota. Não quero ser mais uma que acabou se machucando no conhecido abismo chamado "namoro", quero ser uma das vencedoras que conseguiu superar. Mas...cicatrizes ficam, posso parecer estar bem, mas meu coração vai estar despedaçado. Eu sei que fiz a escolha certa...mas e se a escolha certa me machucar?
Depois de filosofar por um bom tempo na minha pequenina mente, resolvi tirar um cochilo encostada na janela do avião, quando acordei, já estávamos chegando. Cheguei no aeroporto vazio, ainda era cedo lá. Peguei minha mala e segui para o lado de fora, onde um motorista me aguardava com uma placa escrito "Sophie" em letras maiúsculas. Ele não parecia ser grego e muito menos europeu. Era negro, seus olhos eram pretos mas seu sorriso era radiante. Aparentava ter não mais de 40 anos e era bem mais alto que eu, considerando que eu já não sou muito alta. Ele me guiou até o carro e fomos conversando.
-Bom Senhorita Sophie...-Ele começou mas interrompi
-Por favor, me chame apenas de Sophie
-Claro, Sophie.-Ele sorriu- Espero que goste da Grécia
-Ah sim, obrigada. Bom, pelo visto você vai ser meu motorista, que tal contar algumas coisas sobre você?
-Bom...Vejamos, meu nome é gigante e muito diferente, pois vim da Nigéria. Dá para perceber, não é?- ele riu da própria piada.- Então me chame de Kess. Vim ganhar a vida aqui, ajudo muitos turistas e seu agente me contratou para leva-la onde você quiser.
-E o senhor tem filhos?
-Tenho 2 filhos e 1 filha. Eles moram na Nigéria com a mãe mas frequentemente vou vê-los. Não achei bom trazer eles para cá porque o racismo existe ainda e não quero isso para eles. Mas eles tem tudo do bom e do melhor que meu salário pode pagar. E eles te conhecem -ele disse isso, com um sorriso gigante.- Sabem muitas músicas suas.
-Nigéria, você disse? Quem sabe em breve eu não apareça lá.-Disse, enquanto criava um plano para ajudar crianças carentes. Ele me contou a cultura do seu país e da Grécia também, logo cheguei no hotel e arrumei as coisas no meu quarto. Iria passar uma semana lá...Mas minha decisão já esta tomada. Acho que sempre esteve na verdade. Existe milhões de outras garotas no mundo, e ele pode se apaixonar por quem quiser. Quando eu voltar, ele ainda vai estar lá, e se ele quiser realmente eu, assim vai ser. Mas se não quiser, não quero que fique comigo por dó ou caridade. Quero ele feliz. E se ele estiver feliz, eu vou estar também.

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